Nos últimos anos tenho acompanhado, com atenção crescente, a transformação das cadeias globais de fornecimento.
A exigência de comprovação de práticas ambientais, sociais e de governança deixou de ser discurso e passou a ser cláusula contratual. Grandes empresas brasileiras e europeias passaram a exigir evidências objetivas de sustentabilidade como condição para manutenção de fornecedores.
Diante dessa realidade, iniciamos há dois anos, no âmbito da ANIMASEG (Associação Nacional da Indústria de Material de Segurança e Proteção ao Trabalho), a construção de um modelo estruturado para o setor de Equipamentos de Proteção e Segurança: o Selo ESG ANIMASEG de Sustentabilidade.
Mas o mundo mudou — novamente.
A sustentabilidade perdeu força?
Observamos atualmente uma inflexão no cenário internacional. Parte da influência americana tem sinalizado para um certo afrouxamento das agendas ESG (Environmental, Social and Governance – Ambiental, Social e Governança), especialmente sob a ótica regulatória e política.
Algumas empresas passaram a moderar discursos. Outras reduziram a intensidade pública de seus compromissos. O debate ganhou contornos ideológicos em determinados ambientes.
Esse movimento gera dúvidas legítimas: Será que a sustentabilidade perdeu força? Estaríamos diante de um recuo estrutural?
Na minha avaliação, não.
O que vemos, no meu entendimento, são flutuações conjunturais. Ajustes de discurso. Reequilíbrios políticos. Mas não uma reversão da tendência estrutural.
A transição energética continua avançando. A pressão por transparência nas cadeias globais permanece.
A rastreabilidade se tornou ferramenta tecnológica irreversível.
Nova geração
A nova geração de consumidores e profissionais exige responsabilidade corporativa. Empresas europeias continuam exigindo comprovação ESG. Grandes grupos brasileiros mantêm seus critérios de governança e responsabilidade socioambiental. Fundos internacionais seguem avaliando riscos climáticos e sociais.
Pode haver oscilações políticas momentâneas, mas a direção histórica é clara.
Sustentabilidade não é modismo, é reorganização econômica.
Selo ESG ANIMASEG
Quando estruturamos o programa, sabíamos que não estávamos criando apenas um selo, mas um instrumento de preparação estratégica para o setor.
O modelo foi desenvolvido com 83 indicadores distribuídos nas dimensões Ambiental, Social e Governança, com plataforma informatizada de acompanhamento, suporte técnico especializado e validação por organismo de terceira parte independente.
Ao final do processo, a empresa pode alcançar um dos quatro níveis — Bronze, Prata, Ouro ou Diamante — ou, se não atingir o mínimo, retornar para ajustes e nova avaliação.
Não se trata de marketing, trata-se de estrutura e esta não depende de modismos políticos.
A indústria de Equipamentos de Proteção e Segurança lida com algo maior do que tendências de mercado: lida com proteção da vida.
Empresas que protegem pessoas precisam estar preparadas para protegerem-se também do futuro.
Setor precisa olhar além do momento
Mesmo que o cenário internacional apresente oscilações, entendo que a sustentabilidade será o mote das futuras gerações. Não por imposição ideológica, mas por necessidade econômica, ambiental e social.
Quem se preparar agora estará competitivo independentemente da direção dos ventos políticos.
Quem esperar estabilidade absoluta poderá chegar atrasado.
Acredito que o setor precisa olhar além do momento.
Oscilações existirão, a história, porém, aponta para responsabilidade, transparência e eficiência.
O Selo ESG ANIMASEG de Sustentabilidade é, na minha visão, um instrumento de maturidade empresarial. Não para atender a uma onda, mas para estruturar empresas para o futuro.
E o futuro, cedo ou tarde, cobrará consistência.



