Mais um verão sem protetor solar e repelentes de mosquitos aos trabalhadores

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Raul Casanova Junior

Diretor Executivo da ANIMASEG
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Por *Raul Casanova Junior

Mais uma vez, com a chegada do verão, milhares de trabalhadores brasileiros que exercem suas atividades a céu aberto — na construção civil, agricultura, portos, vigilância, serviços de limpeza urbana e tantos outros — seguem desprotegidos contra dois riscos de enorme relevância para a saúde pública:

Radiação ultravioleta (UV), responsável por queimaduras, envelhecimento precoce e aumento alarmante dos casos de câncer de pele.

Mosquitos transmissores de doenças como dengue, zika, chikungunya e malária, que continuam a afetar diretamente a população trabalhadora.

Apesar da gravidade desses riscos, o Ministério do Trabalho não incluiu até hoje, na pauta da CTPP (Comissão Tripartite Paritária Permanente), a discussão sobre a obrigatoriedade de fornecimento de protetores solares e repelentes como Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Não incluiu nem sequer na pauta para discussão.

Pleito reiterado pela Animaseg
Em fevereiro de 2024, solicitou a inclusão dos protetores solares, mesmo após o tema já ter sido negado em duas tentativas anteriores.

Em fevereiro de 2025, apresentou formalmente a solicitação para inclusão dos repelentes de mosquitos.

Em agosto de 2025, o assunto foi sobrestado pela coordenação da CTPP, permanecendo sem avanço até o presente momento.

O paradoxo dos “EPIs que não são considerados EPIs”
Embora tenham função clara de proteger a saúde e a vida dos trabalhadores, protetores solares e repelentes seguem fora da lista oficial de EPIs. Essa omissão expõe milhões de brasileiros a riscos evitáveis.

Além disso, cresce a preocupação quanto à qualidade e eficácia desses produtos. Casos recentes, como a denúncia na Austrália de protetores solares testados nos Estados Unidos que apresentaram resultados muito abaixo do prometido, evidenciam a urgência de um controle rigoroso sobre esses itens.

Por que incluir como EPIs?
Proteção comprovada: estudos mostram a redução significativa de câncer de pele com uso contínuo de protetor solar, e a queda de incidência de arboviroses com o uso de repelentes adequados.

Trabalho seguro e digno: trabalhadores expostos ao sol e a ambientes com alta presença de mosquitos estão em condição de vulnerabilidade permanente.

Responsabilidade social e econômica: os custos com afastamentos, tratamentos médicos e perda de produtividade são muito maiores do que o investimento em prevenção.

É inconcebível que, em pleno 2025, trabalhadores continuem enfrentando mais um verão sem proteção garantida contra riscos tão evidentes. O reconhecimento de protetores solares e repelentes como EPIs é uma medida de justiça, saúde pública e valorização do trabalho humano.

Raul Casanova Junior

Diretor Executivo da ANIMASEG
*Raul Casanova Junior é Engenheiro Eletrônico e Administrador de Empresas, com trajetória profissional no setor de Equipamento de Proteção, em especial, de EPI. Atualmente, Raul é diretor Executivo da ANIMASEG (Associação Nacional da Indústria de Material de Segurança e Proteção ao Trabalho), cargo que ocupa desde 1993, e diretor Executivo da ABRASEG, entidade que congrega importadores e distribuidores de equipamentos de proteção, desde 1995. Ele também ocupa a posição de Superintendente do Comitê Brasileiro de Equipamento de Proteção Individual – ABNT/CB-032, desde 2012.