A revenda de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) usados e recondicionados, como capacetes, luvas, cintos de segurança e outros itens, tem preocupado especialistas em segurança do trabalho. Em comunicado oficial divulgado nessa segunda-feira, a ANIMASEG classifica a prática como ilegal e afirma que ela “gera falsa segurança e coloca vidas em risco”.
O alerta se sustenta em um ponto pouco conhecido fora do setor: a integridade de um EPI não se mede pela aparência. Um capacete pode estar impecável e já ter perdido a capacidade de absorver um impacto; uma luva pode parecer nova e não oferecer mais a resistência para a qual foi projetada. Os equipamentos são certificados considerando o produto novo. Uma vez utilizado, não há garantia de que essas propriedades permaneçam preservadas. Quem adquire o item usado a um preço mais baixo pode, assim, acreditar que está protegido sem estar.
Leilões digitais
A ANIMASEG chama atenção para a origem de parte desses produtos: leilões em plataformas digitais, porta de entrada para EPIs usados no mercado secundário. A Associação não questiona esses ambientes de compra e venda, mas o fato de equipamentos de proteção circularem ali sem garantia de que ainda cumprem sua função original.
Para a entidade, equipamentos que chegaram ao fim da vida útil devem receber destinação ambientalmente adequada, e não retornar ao mercado disfarçados de solução econômica. “A proteção da vida não admite improvisos, reutilização inadequada ou qualquer prática que comprometa a confiabilidade dos EPIs”, afirma a ANIMASEG. A economia obtida com produtos usados é apenas aparente: o custo real pode se traduzir em acidentes, afastamentos e perdas de vidas.
Um posicionamento, uma convocação
Ao encerrar o comunicado reafirmando compromisso com a ética, a conformidade técnica e a preservação da vida dos trabalhadores brasileiros, a ANIMASEG convoca o mercado a olhar com mais rigor para a procedência dos EPIs que compra, distribui e utiliza. Fabricantes, distribuidores, empresas compradoras e os próprios trabalhadores têm, cada um à sua maneira, um papel na contenção desse mercado paralelo.






