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Empregos na economia circular crescem no mundo, mas maioria dos trabalhadores segue sem proteção adequada

Relatório internacional aponta até 142 milhões de pessoas em atividades circulares e alerta para informalidade, riscos ocupacionais e ausência de trabalho decente, especialmente no Sul Global

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Por Andrea Fagundes
Foto: Getty Images

Entre 121 e 142 milhões de pessoas trabalham hoje em atividades ligadas à economia circular em todo o mundo, o que representa cerca de 5% a 5,8% do emprego global, excluída a agricultura. Os dados constam do relatório Employment in the Circular Economy: Leveraging circularity to create decent work, elaborado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), pela Circle Economy e pelo Grupo Banco Mundial, em parceria com o UN-PAGE, e constituem o primeiro levantamento global sobre o emprego nesse modelo econômico.

O estudo considera como atividades circulares funções como reparo e manutenção, responsáveis por 46% dos empregos do setor, seguidas por manufatura (24,5%) e gestão de resíduos (8%), além de reciclagem e comércio de segunda mão, que compõem o percentual remanescente dos empregos da economia circular. São atividades intensivas em mão de obra, diretamente associadas às estratégias de sustentabilidade e à redução do uso de recursos naturais, mas que também envolvem diferentes níveis de exposição a riscos ocupacionais.

A maior parte desses empregos está concentrada no Sul Global. As regiões das Américas e da Ásia-Pacífico apresentam as maiores proporções de empregos circulares, com 6,4% e 5,8% do total de postos de trabalho, respectivamente. Segundo o relatório, esse padrão reflete a presença histórica de práticas de reaproveitamento, reparo e reciclagem em economias onde a circularidade muitas vezes se desenvolve como resposta a limitações econômicas e sociais.

Um dos principais alertas do estudo é o elevado grau de informalidade: mais de 74 milhões de trabalhadores da economia circular atuam fora de vínculos formais, sem regulação trabalhista ou proteção social. Essa condição está associada a renda instável, baixos salários e condições precárias de trabalho, além de maior exposição a riscos físicos, químicos, biológicos e mecânicos, especialmente em atividades como coleta, triagem, reparo e desmontagem de materiais.

Apesar dos ganhos ambientais, o relatório destaca que a economia circular não garante automaticamente trabalho decente. Os autores defendem que a consolidação desse modelo deve incorporar, desde o início, direitos trabalhistas, proteção social e o cumprimento efetivo das normas de Segurança e Saúde no Trabalho (SST).

Entre as recomendações estão o fortalecimento da prevenção de riscos, a ampliação da cobertura de SST para trabalhadores informais e a aplicação consistente dos padrões existentes, inclusive em setores ainda pouco integrados à circularidade, como construção e mineração.

Para a ANIMASEG, ainda que o relatório não aprofunde aspectos técnicos dos equipamentos de proteção individual (EPIs), a centralidade atribuída ao cumprimento das normas de SST evidencia que a proteção do trabalhador deve ser parte estruturante da economia circular.

A entidade avalia que em cadeias marcadas por informalidade e múltiplos riscos, integrar sustentabilidade ambiental e proteção ao trabalho é condição para uma transição justa. Do contrário, a circularidade tende a reproduzir vulnerabilidades históricas sob um novo discurso “verde”.

Acesse o relatório completo:
https://www.ilo.org/publications/employment-circular-economy-leveraging-circularity-create-decent-work

Fonte: Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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