Acidentes em espaços confinados mantêm alta letalidade no Brasil

Dados oficiais indicam que 7 em cada 10 ocorrências registradas no país resultam em morte; somente nos primeiros meses de 2026 já houve casos fatais em diferentes estados.

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Por Andrea Fagundes
Foto: Gerada por IA

Os acidentes em espaços confinados continuam apresentando alta taxa de letalidade no Brasil, mesmo após quase duas décadas da publicação da Norma Regulamentadora nº 33 (NR-33), que regulamenta o trabalho nesses ambientes. Levantamento com base na Análise de Impacto Regulatório do Ministério do Trabalho mostra que, entre 2008 e 2020, 99 dos 137 acidentes identificados foram fatais, o equivalente a sete mortes a cada 10 ocorrências.

Somente em janeiro e fevereiro deste ano, ao menos dois trabalhadores morreram em situações envolvendo tanques industriais e equipamentos confinados, em episódios registrados nos estados de São Paulo e Goiás. Em outro caso, três pessoas passaram mal ao tentar socorrer um colega dentro de um reservatório de combustível.

Esse cenário foi debatido durante uma live técnica da ANIMASEG, em seu canal no YouTube, no dia 12 de fevereiro, com o especialista convidado Carlos Carvalho.

280 acidentes com indícios de asfixia

Segundo registros associados ao CID T71/W81 (asfixia), foram contabilizados 280 acidentes com indícios de ocorrência em espaços confinados entre 2011 e 2020. Desses:

  • 87% estão relacionados à asfixia;
  • 65% ocorreram nas regiões Sul e Sudeste;
  • 90% das vítimas são homens;
  • A faixa etária predominante é de 40 a 59 ano.

A situação se agrava no setor agroindustrial. Mortes em estruturas de armazenagem de grãos chegaram a aproximadamente 100 registros em 2023, mantendo trajetória elevada desde 2020.

Resgatistas são 60% das vítimas

 

Um dos dados mais alarmantes destacados pelo especialista é que cerca de 60% das vítimas são pessoas que tentaram socorrer a primeira.

Em ambientes com deficiência de oxigênio ou presença de gases tóxicos, a entrada sem monitoramento adequado transforma o resgate improvisado em nova ocorrência fatal. O fenômeno é conhecido entre técnicos como “morte em série”, quando a vítima inicial desencadeia uma sequência de acidentes.

“O gás sulfídrico ou sulfeto de hidrogênio, também chamado de H2S, numa concentração fatal, consegue matar um adulto em dois minutos. E ele não é percebido em grandes concentrações pelo nariz humano”, alerta Carlos.

O que caracteriza um espaço confinado

 

Pela definição da NR 33, espaço confinado é o ambiente que:

  • não foi projetado para ocupação humana contínua;
  • possui meios limitados de entrada e saída;
  • apresenta ou pode apresentar atmosfera perigosa.

Tanques industriais, silos de grãos, reservatórios, galerias subterrâneas e poços são exemplos típicos.

Falhas de gestão lideram as causas

 

De acordo com os dados apresentados na live, as principais causas associadas aos acidentes são:

  • 26%: ausência de gestão adequada ou plano de resgate;
  • 23%: atmosfera perigosa;
  • 16%: falha no monitoramento;
  • 14%: ausência de proteção respiratória;
  • 12%: inexistência de sistema de resgate;
  • 9%: ventilação inadequada.

“A norma é clara e está vigente desde 2006. Se aplicada corretamente, poderia evitar grande parte desses eventos”, reforçou Carvalho.

Um problema que vai além

 

Embora a NR-33 se aplique às relações formais de trabalho, os acidentes também ocorrem em áreas rurais e propriedades familiares, especialmente em poços e estruturas de armazenagem, muitas vezes sem notificação oficial.

O consenso entre os técnicos é que o desafio não está na falta de regulamentação, mas na consolidação de uma cultura preventiva consistente, capaz de transformar regra escrita em prática cotidiana.

Assista a live no canal YouTube Animaseg Epi, pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=ojHuRi-ODPc

 

 

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